19jun 18

SERÁ QUE ESTOU SENDO ABUSIVA?

Quando se trata de ser abusivo, parece que os homens recebem todo o foco e a culpa. Este é particularmente o caso porque os homens são geralmente mais agressivos, fisicamente ou verbalmente. No entanto, mulheres abusivas são muito mais comuns do que a maioria das pessoas imagina.

Toda mulher já passou por um relacionamento abusivo, infelizmente, vivi isso mais de uma vez na minha vida. Mesmo que “para cada ação, tenha uma reação”, não podemos justificar um erro com outro.

Mesmo que ele tenha dado motivo pra eu invadir a privacidade dele, ler suas conversas e viver desconfiada se ele estava conversando com outras mulheres ou não, nunca tive o direito de cruzar esse limite, porque fazer isso não me tornava melhor do que quem estava me sacaneando.

Você pode pensar que ser abusiva pode ser a única forma de descobrir se está sendo enganada ou não, mas pela minha experiência nada fica encoberto por muito tempo. Então você pode seguir sua vida, ser uma boa namorada e ainda descobrir que o cara em quem você confiou não merecia seu respeito. Mas claro, essa não é a única razão que pode tornar uma mulher abusiva.

Por causa das diferentes formas de abuso tipicamente usadas pelas mulheres, as abusivas são mais difíceis de reconhecer. Elas geralmente abusam de maneiras mais sutis e menos externas do que os homens, o que pode ser difícil de detectar. Estes caminhos normalmente escondem-se e não deixam feridas óbvias como um olho roxo, mas às vezes pode deixar.

Então, como que as mulheres abusivas realmente parecem na vida real? Aqui estão alguns depoimentos de pessoas que viveram relacionamentos com mulheres abusivas.

Vinicius Souza, 22 anos, estudante.

“Eu sou homem trans, na época eu não podia e nem sabia como contar isso para as pessoas. Comecei a namorar uma menina de SP a distância até ela fazer minha cabeça pra vir morar comigo em Santa Fé do Sul. Primeiro dia dela aqui, ela deu um crise de ciúmes por eu mexer no celular falando com colegas minha e me bateu, jogou um porta retrato no chão e tentou fechar a porta, quando ela fez isso não deixei ela se trancar lá e escorreguei no vidro cortando o pé(aquele dia fui parar no hospital a pé pra ver se precisa de ponto, não precisou). E assim se foi dela me manipulando, me batendo e quebrando a minha casa que meus pais tinham me ajudado a ter, perdi amigos. Em uma das brigas, ela tentou se trancar no quarto pra se matar e eu não queria levar a culpa por morte de ninguém principalmente a dela, e bati na porta com tanta força que ela foi jogada para trás e eu quase morri sem respirar por ter batido o cotovelo na caixa torácica. Eu tinha medo de sair de casa, porque ela não gostava, eu faltei tanto a faculdade que quase reprovei, meu rendimento na faculdade que era o que eu mais amava estava indo pro buraco. Um dia brigamos e ao invés de ficar esquivando e apanhando eu revidei, a partir dali fui chamado de louco, que eu deveria estar internado e ela me fez acreditar que eu era um monstro e que deveria morrer. Ela me traiu virtualmente várias vezes, uma das brigas foi por isso. No final do ano que ela morava comigo, tínhamos terminado há um tempo, mas ela pelas manipulações ainda morava comigo, meus pais vieram para cá e brigamos feio por causa dela, fiquei sem apoio dos meus pais e fui morar em SP com os pais dela, sem nenhuma vontade e sem saber o que estava fazendo por tanta manipulação. Hoje eu me sinto tranquilo, não tenho rancor nem nada, mas não quero vê-la, minha esposa me ensinou o que é amar de verdade e eu fiz terapia pra ajudar a não guardar as coisas. Ela não merece nem que eu sinta raiva dela.”

Anônimo, 32 anos, contador.

“Minha chefe me fez ter um relacionamento sexual sob a ameaça de ser demitido e sabotar minha carreira se eu não concordasse com isso. Não tomei “não” como resposta, nunca “parei” seriamente, não me importei com o fato de nunca ter feito isso e, obviamente, não queria nada disso, também não me importava se estivesse resistindo fisicamente. Ela fez de tudo, desde coerção sexual (ficando super chateada se eu não cedi) para me chantagear fisicamente me prendendo (longa história). Aconteceu diariamente e durou um ano antes de eu encontrar um novo emprego..

Anônimo, designer, 32 anos.

“Ela era mais velha, minha professora de inglês. Eu tinha 18 e ela 24. Já começamos errado. Na primeira noite, depois do sexo, ela veio falar que estava noiva. Uma semana depois apareceu falando que tinha terminado tudo pra ficar comigo. Eu, bem moleque, adotei o “tô no inferno, abraça o capeta”. Mas aí que virou o inferno mesmo. Eu não podia mais falar com ninguém, era briga constantemente e sempre que cogitava terminar, ela me manipulava psicologicamente. Falava que estava grávida (e perdia). Falava que ia se matar e era culpa minha. Até que um dia deu um tapa e eu não revidei. A coisa foi piorando até um dia que ela tentou me empurrar no metrô. Sim, na linha. Detalhe: ela era filha do diretor de marketing de um multinacional, super bem de vida e bem criada.”

Luiz Paulo, 29 anos, analista de sistemas.

“Eu sempre fui bem regrado sobre como se comportar, se sua família está mal, a culpa é sua, se sua esposa está triste, a culpa é sua, se sua namorada não gosta de uma amiga sua, a culpa é sua. Porque homem de verdade não tem ” amiguinhas”, porque homem de verdade ” não sai com amigos” fica em casa com sua mulher. E assim fui seguindo, engatei um relacionamento que parecia ser puro amor como tudo começo parece, saiamos, curtíamos, mais programas caseiros claro pois ela já tinha um filho de nove meses (sempre quis ser pai e me senti o máximo cuidando dele). De pouco a pouco eu passava mais tempo com ela do que com meus amigos e quando ia vê-los era briga, era “eles são mais importantes” pra cá “suas amiguinhas” pra lá e depois de um ano de namoro sem eu perceber ninguém mais me visitava, eu pouco saia e minha vida era isso apenas e academia que logo eu tive de sair já que pra ela eu não estava lá pela minha saúde mas pra caçar mulher e HOMEM DE VERDADE NÃO FAZ ISSO. Três anos disso acabamos casando, junto com essa nova fase de vida veio meu filho e a pressão pra sair do país e ir para o Japão, eu acabei aceitando porque homem de verdade tem de fazer isso mesmo, se tiver de abandonar sua carreira pra começar do 0 em outro país ele vai, porque é isso que homem de verdade faz. Ensaiamos um tempo e fui morar no Japão, em uma semana de Japão, com saudades do meu afilhado e do meu filho que pelos planos eu pegaria logo em breve, tendo apenas ela como suporte eu percebi que tinha algo muito errado. Não vou entrar em detalhes aqui porque não sei se consigo escrever sobre isso, mas em resumo ela tinha tudo arquitetado pra me roubar, me matar e buscar as crianças. Ela conseguiu me roubar e não foi apenas o dinheiro que ela levou, depois de anos com essa pessoa, ao voltar ao Brasil, eu percebi que ela me levou meu físico, meu psicológico, minhas amizades, minha casa, meu emprego. Tudo que eu conquistei ela tirou, tudo o que me fazia rir irritava ela, levei anos pra perceber que eu fiquei em um relacionamento abusivo.”

Um dos indícios de comportamento abusivo, é o controle. O comportamento de controle dá a sensação de que a pessoa só está preocupada com o seu bem-estar, como querer que você ligue enquanto estiver longe de casa, mas é motivado não pela preocupação, mas pela necessidade de manter o poder por estar no controle. Além disso, mostrar um comportamento exigente, não é apenas ter expectativas irreais ou injustas, mas também pode ser sobre ser egoísta.

A nossa entrevistada abaixo, que quis se manter anônima levantou uma questão muito importante. De quando o homem somente reage a uma ação da mulher. E o fato de tudo ser considerado machismo poder prejudicar o nosso julgamento e nos fazer discutir o óbvio que segundo ela é: “violência, gera violência”.

Anônima, 30 anos, jornalista.

“Começa a me encher o saco eu saio, eu não discuto nesses dias. Antigamente eu reparava que quando eu bebia eu despertava um lado um pouco mais agressivo. Eu sou uma pessoa mais agressiva, sem paciência com o mundo, sou uma pessoa explosiva. E reparava que quando eu estava num relacionamento e bebia um pouco eu acabava explodindo com qualquer coisa. Uma vez numa festa, que eu não sei porque a gente começou a brigar muito feio, eu rasguei a camisa dele inteirinha e várias coisas, deu me jogar do carro dele, ligar pra polícia e falar que ele tava me sequestrando e coisas que eu sei que quem tava fazendo era eu. Me joguei do carro, bati nele mais de uma vez, isso foi meu primeiro namorado. Os outros foram mais de boa, mas sempre, sempre na chantagem emocional, cara feia, “se não fizer isso eu não faço também”, sempre em brigas querendo ofender, xingando. Eu vivo nesse ciclo, o que eu faço pra melhorar: já tentei terapia coletiva, meditação, já tomei chás, produtos naturais. A questão do relacionamento abusivo em si é um problema, porque eu pelo rótulo sim, sou uma mulher feminista, sei o que é um relacionamento abusivo, sei onde a posição da mulher é sempre mais precarizada do que a do homem, sei várias coisas, no entanto, como hoje tá em moda dizer a coisa do machismo, a mulher sempre estar nessa posição de lutar pelos seus direitos que ela tá certa, ela deve fazer isso mesmo. Eu acho que às vezes a gente acaba confundindo um pouco o que é resposta do que nós mulheres também fazemos e o que sim é um relacionamento abusivo de fato”.

E você, já viveu um relacionamento abusivo? Deixa aqui nos comentários!

 

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