28jun 16

O que é relacionamento abusivo pra você?

relacionamentos

O que deveríamos considerar um relacionamento abusivo? Uma briga, ofensa? O que realmente entra no pacote?

Li vários relatos de pessoas conhecidas no Facebook, mas a verdade é que nunca me questionei sobre o que era ou não aceitável pra mim dentro dos relacionamentos que tive. Claro que, em alguns momentos o limite era óbvio, mas e quando o comportamento abusivo está camuflado, como fazemos pra diferenciar uma fase ruim do nosso parceiro, com desrespeito contínuo e abuso psicológico?

Fazendo uma busca rápida no Google sobre o assunto, abri o primeiro link que encontrei e cai em um texto do WikiHow. Nele, a lista de comportamentos errados era imensa. Reconheci em alguns tópicos comportamentos que o meu ex marido tinha enquanto eramos casados. Em outros pontos vi um reflexo de mim mesma, de como fui abusiva em determinadas situações e me identifiquei com sentimentos que carrego até hoje.

Comecei a me questionar se o problema era eu, minhas escolhas erradas para parceiros. Talvez eu seja passiva demais e permita que me tratem com a falta de respeito que meu pai sempre ensinou que eu merecia.

Ele dizia para eu escolher quem me tratasse como princesa e a verdade é que, mesmo hoje, nunca me senti como uma.

Nós mulheres somos condicionadas a achar que o problema é sempre nosso e comigo não era diferente. Em partes por idealizar um companheiro capaz de ver em mim alguém por quem vale a pena dar o melhor. Me ensinaram que não se pode ter tudo e que o homem perfeito não existe.

Como se eu idealizasse alguém irreal, mas a verdade é, nunca fui muito ambiciosa. Quando estava na quinta série escrevi uma carta pra Deus, na época eu frequentava uma igreja evangélica. Na carta só qualidades de caráter e personalidade, como que a pessoa me amasse, me tratasse como princesa, fosse trabalhador mas acima de tudo me respeitasse. Mesmo na época a aparência do meu “príncipe encantado” nunca me importou.

Os desejos de criança seguem comigo até hoje e analisando com frieza nunca encontrei quem cumprisse todos os requisitos. Não estou dizendo que sou perfeita mas posso contar nos dedos a única vez que em um rompante de raiva xinguei um namorado em alto e bom som.

Quem nunca quis esganar o outro durante uma briga que atire a primeira pedra, sou humana e não estou livre desses desejos, mas sempre tive o cuidado de não ultrapassar alguns limites, pois sei que faltar com respeito é um ciclo vicioso. Se acontece uma vez e você age com naturalidade, a chance de acontecer de novo é bem grande.

Mas se eu tenho esse cuidado, porque a pessoa que escolhi para estar ao meu lado também não pode ter? As vezes o outro é tão grosseiro que acabamos imitando o mal comportamento e agredindo igualmente. Porque todo mal comportamento parece justificável, mesmo os que não são, mesmo os nossos.

A pessoa que diz te amar não deveria ter a capacidade de te agredir física ou emocionalmente. Me ocorreu que nem todo abuso são marcas deixadas na face, algumas vezes são marcas que ficam entranhadas na alma.

Relacionamentos não deveriam ser difíceis, não deveria ser uma luta diária e você não deveria sentir-se como alguém que o outro “suporta”.  Tem algo que venho amadurecendo e dizendo pra mim mesma faz um tempo, se a pessoa que está ao seu lado quer ir embora, então ela está te fazendo um favor. 

O que você seria capaz de fazer por quem ama? Responda para si mesma essa pergunta com sinceridade. Seria capaz de melhorar as coisas que incomodam o outro? Que tipos de sacrifícios faria?

Agora questione-se: quem está ao seu lado seria capaz de fazer o mesmo por você? Talvez, só talvez essa resposta seja o que precisa.

Por .

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