12set 18

NO SETEMBRO AMARELO: CONHEÇA O APP “TÁ TUDO BEM?”

prevenção suicidio

Nunca se falou tanto em depressão e saúde mental quanto de 2017 para cá. Segundo o Ministério da Saúde aproximadamente onze mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no Brasil.

O suicídio é decorrente de uma depressão profunda e pode ser causada por inúmeros fatores. O importante é discutir o assunto e ficar atento aos sinais, muitas vezes podemos ter um amigo pedindo socorro de maneira silenciosa e perceber os sintomas pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Por isso o aplicativo “Tá tudo bem?” criado em agosto de 2017, surge como mais um reforço para quem precisa de ajuda. Com recursos como: botão de emergência que liga automaticamente para o CVV, lista de razões para viver onde o usuário pode preencher, notificações com incentivo e contatos de emergência. O usuário pode navegar através de uma interface simples e intuitiva.

Conversei com Aline Bezzoco, 28 anos, desenvolvedora front-end e criadora do aplicativo que hoje já conta com 5.000 downloads e em torno de 340 usuários ativos, para entender quais foram suas motivações.

Reprodução Linkedin Aline Bezzoco

 

Viviane Leone: De onde surgiu a ideia de criar um app para prevenção ao suicídio?

Aline Bezzoco: Começou através de um comentário preconceituoso que ouvi de uma conhecida minha meses antes de desenvolver o app. Uma amiga dela havia tentado suicídio e ela julgou o que a mesma fez, alegando que era “falta do que fazer” entre outras coisas. Fiquei tão abismada com aquilo que tentei explicar pra ela que não é apenas um término de relacionamento, uma perda de um emprego que pode causar a tentativa do suicídio, mas um conjunto de fatores que a pessoa vem carregando durante o tempo. Só ela sabe o turbilhão de emoções que ela está sentindo e não podemos julgar. A ideia inicial do app era ser mais informativo e desmistificar a respeito do tema, de como elas podem ajudar uma pessoa que pode estar começando a ter pensamentos suicidas, etc.  Com o tempo foi surgindo outras ideias como a lista de razões para viver, as mensagens de apoio emocional, o botão da ligação de emergência e os contatos de emergência. Sabendo da responsabilidade que era desenvolver um aplicativo para um público que está passando por uma situação difícil pedi que a minha psicóloga, a Wanessa Lisbôa, avaliasse as minhas ideias e dizer se aquilo que estou desenvolvendo pode ser bom para o usuário ou pode despertar algum tipo de gatilho negativo. Tive muito cuidado ao desenvolvê-lo porque estou lidando com a vida das pessoas.

Viviane Leone: Qual sua experiência com depressão e suicídio em si?

Aline Bezzoco:  Quando eu era mais nova por volta dos 16, 17 anos tive pensamentos suicidas. Naquela época passei por um turbilhão de problemas de família, na escola, baixa autoestima e foi bem difícil pra mim.  Nunca cheguei a tentar algo, pois havia o medo também. Tudo era muito confuso pra mim naquele período. Já a depressão eu nunca fui diagnosticada com a doença, mas vivenciei momentos em que fiquei muito mal, para baixo, desanimada com a vida. Mas hoje em dia minha saúde mental está bem melhor do que antes. Desde que comecei a fazer terapia foi uma das melhores coisas que fiz na minha vida.

Viviane Leone: Como você imagina o aplicativo daqui há uns dois anos?

Aline Bezzoco: Eu espero que o app possa continuar ajudando as pessoas e que até lá novas ferramentas de apoio sejam implementadas. Por isso,o feedback dos usuários é importante. Para eu saber o que posso melhorar ou não a fim de ajudá-los. Lembrando que o aplicativo é apenas uma ferramenta de apoio e nada substitui a ajuda psicológica e/ou psiquiátrica.

Viviane Leone: Qual a diferença desses para outros aplicativos que possuem o mesmo intuito?

Aline Bezzoco: Por ser simples, fácil de usar e possuir um botão de emergência que liga automaticamente para CVV (188, ligação gratuita) e se o usuário tiver algum contato de confiança cadastrado, o mesmo recebe uma mensagem comunicando que aquela pessoa não está bem e precisa de ajuda.

Viviane Leone:  Você já recebeu alguma mensagem de alguém que foi positivamente impactado por esse app e desistiu de uma decisão que poderia acabar com sua vida?

Aline Bezzoco: Sim. E fiquei muito feliz em ter recebido esse feedback. Uma menina que tem borderline entrou em contato comigo agradecendo porque o app a ajudou no momento certo e em um período de crise.

Viviane Leone:  Você pretende formar parceria com psicólogos no futuro pra oferecer o serviço dentro do app?

Aline Bezzoco:  Eu ainda não pensei em relação a isso, mas é uma boa ideia, viu? Quem sabe criar um serviço de busca para os profissionais parceiros do app oferecendo atendimentos à distância ou presencial a preço social? Vou anotar e pensar a respeito!

Viviane Leone: Em quais sinais devo ficar atenta para conseguir identificar uma possível depressão?

Aline Bezzoco: Se você sentir um desânimo pela vida, não sente vontade de viver, de estar de saco cheio de tudo, de não ter vontade de sair, se você se sente pra baixo, com pensamentos muito negativos, falta de apetite, problemas com o sono procure ajuda de um profissional ou alguém de confiança no qual você possa desabafar. Ou então procure pelo CVV ligando através do 188 ou pelo chat deles. Ambos são gratuitos e a ligação funciona 24h por dia. E para as pessoas que virem os seus amigos, colegas, familiares com depressão, não os julgue. Dê apoio. Não digam que é falta de Deus na vida delas. E muito menos não julgue através de posts e fotos nas redes sociais. A depressão é silenciosa e nem sempre a pessoa expõe isso para as outras. Ela pode aparentar que está super bem na sua frente, sair com você, mas no fundo está mal, para baixo. Então fique atento aos detalhes, se achar que a pessoa não está bem procure conversar de forma fraterna com ela e ofereça apoio.

Para baixar o aplicativo CLIQUE AQUI.

 

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