14mar 12

Flores para nunca esquecer

Este é um caso antigo, mas achei muito bonito e resolvi compartilhar com vocês.

Em 2003 o edifício que abrigava o Centro de Saúde Mental de Massachusetts (MMHC) teve sua demolição marcada para a construção de instalações mais atualizadas. Como o antigo prédio já tinha 9 décadas, a demolição tocou incontáveis pacientes, trabalhadores e a comunidade em geral.

Eles decidiram então, que antes de ser demolido, deveriam fazer algo para que o MMHC ficasse em suas memórias para sempre, carregando consigo sua história de esperança e tristeza também.

Além disso, queriam que este espaço fosse aberto ao público, não como um discurso técnico, com placas e informativos, mas como uma experiência única, digna da história peculiar do local, e das vidas que por ali passaram.

Dessa forma, contrataram a artista Anna Schuleit, que em apenas três meses fez o impossível. Ela estudou os ambientes do hospital, sendo que o que mais lhe chamou atenção foi aquilo que ela não viu: vida e cor.

Embora o local historicamente tenha sido um lugar de cura, o interior era monótono, os corredores desgastados e a pintura maçante. Com uma grande equipe de voluntários e uma verba bem reduzida, a artista executou a instalação de arte pública, com o nome de Bloom.

O conceito era simples, mas impressionante e poético. Cerca de 28.000 vasos de flores preencheram o local, transformando corredores, escadas, escritórios e até uma piscina, em uma atmosfera melancólica, bonita e triste ao mesmo tempo.

O mar de flores mexeu com o coração do público, que foi convidado para uma visita de 4 dias, com tempo limitado para reflexão e renascimento.

A base do edifício foi coberta com 5.600 m² de grama, que foi regada ao longo dos dias e continuou crescendo durante a exposição.

Este corredor ganhou violetas azuis africanas, ele ligava a parte histórica do MMHC ao anexo de pesquisa.

A unidade de psiquiatria infantil foi recoberta de tulipas brancas.

As begônias laranjas levavam aos escritórios dos médicos.

Essas lindas flores ficavam em um dos quartos dos pacientes e foram as que mais viajaram para exposição.

A sala de tratamento no primeiro andar ganhou lindas tulipas laranjas.

 Um dos maiores eixos do edifício foi coberto de crisântemos brancos.

 As salas de tratamento se encheram de tulipas laranjadas

Às vezes estamos tão preocupados com nossas próprias vidas que esquecemos do valor das coisas. Essa obra me emocionou muito, por todas as características estéticas e simbólicas a ela empregada.

Espero que vocês tenham gostado.

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